PROCESSO DE REPLICAÇÃO DE PROJETOS-PILOTO


A atuação com projetos-piloto busca promover melhorias estruturantes e estruturais nos locais de intervenção para o saneamento, explorar e consolidar abordagens, metodologias e soluções para o saneamento inclusivo. Aplicar os conhecimentos na prática e testar sua validade em diferentes contextos é fundamental para calibrar as soluções e processos, aprimorar a eficiência e a efetividade na ação com projetos-piloto.
 

Para isso, o IAS desenvolveu a metodologia de atuação que apresentamos aqui. A ideia é que este processo seja utilizado para nortear atividades do IAS e demais parceiros envolvidos nos projetos-piloto. O detalhamento dos procedimentos em cada etapa será aprimorado ao longo do tempo.
 

FASES DO PROCESSO


FASE 0: Preparação

Avaliação do contexto, problema e condições locais para atuação

Planejamento do processo

Acordo institucional


FASE 1: Planejamento e projeto

Estudo diagnóstico funcional

Estudo de soluções 

Plano de ação


FASE 2: Implementação

Implementação do Piloto

Monitoramento


A fase 2 é subdividida em duas etapas, a inicial, de entrada na comunidade, fortalecendo o engajamento local e a compreensão acerca das questões relacionadas e soluções para o saneamento local. Nesta etapa busca-se implementar alguns sistemas em pontos estratégicos na comunidade (escola, posto de saúde, centro comunitário, alguns domicílios em situação mais crítica), para testar as soluções mais adequadas ao contexto local, além de trazer maior familiaridade com os procedimentos para construção e operação dos sistemas para a população local.
 

A segunda etapa se refere à replicação dos sistemas para o resto da comunidade e a implementação do sistema comunitário de gestão do esgoto, a ser configurado com base nas soluções adotadas e interesses locais. Assim, além de estender o atendimento adequado no local, por soluções individuais ou sistemas semi-centralizados, busca-se definir dinâmicas e estruturas para as etapas que podem fazer mais sentido de forma coletiva (como o monitoramento e a manutenção de redes, banheiros públicos, sistemas de tratamento de esgoto e/ou lodo fecal, beneficiamento e reuso dos subprodutos gerados).


Para a conclusão do ciclo integral de um projeto piloto, é importante preparar os insumos necessários à documentação de resultados, facilitando, assim, o processo de replicação das ações.


FASE 3: Implementação

Sistematização dos resultados

Articulação para extensão ou replicação das ações



ARRANJOS PARA A COMPOSIÇÃO DA EQUIPE DE PROJETO COM BASE EM FUNÇÕES IMPORTANTES PARA O DESENVOLVIMENTO


O sucesso da atuação com projetos-piloto está diretamente relacionado  à capacidade de articulação estratégica entre diferentes tipos de atores, que desempenham funções complementares entre si. 
 

Nesta metodologia, o IAS classifica os atores em 5 grupos, com diferentes funções e níveis de envolvimento:
 

- Grupo central de trabalho:  tem envolvimento integral ao longo das diferentes fases e etapas (concepção, planejamento, coordenação, articulação e representação/ mediação do projeto);
 

- Assessorias complementares: são atores acionados sob demanda para etapas específicas (estudos específicos, projetos, validações, eventos, comunicação, construção, monitoramento etc.); 
 

- Atores municipais: estes são acionados já na fase de preparação (anuência para a ação, podendo também contribuir com suportes específicos e/ou ações de amplificação para o piloto);
 

- Atores locais: têm envolvimento já na fase de preparação, mas essencialmente nas fases de planejamento, projeto e implementação (processo de capacitação, levantamento das condições locais e das demandas, definição das soluções, suporte na implementação, e operação e manutenção dos sistemas);
 

- Financiadores: envolvimento essencial nas fases 01 e 02 (recursos financeiros, equipamentos e/ou serviços  especializados, para estudos, projetos, processos participativos, atividades de construção e monitoramento).
 

Importante! Esta classificação tem caráter meramente metodológico, servindo apenas para orientar as diferentes formas e níveis de envolvimento de cada grupo, e não para restringir a participação dos atores a um grupo específico. A classificação tampouco significa que a contribuição de uma mesma organização deve ficar restrita a uma única função. Da mesma forma que organizações locais ou a gestão pública municipal podem compor o grupo central de trabalho, as assessorias complementares podem ser desenvolvidas por atores municipais ou membros do grupo central de trabalho.
 


RECOMENDAÇÃO  PARA O DESENHO DE FUNÇÕES DA EQUIPE ENVOLVIDA


À parte dos atores locais, municipais e financiadores, cuja participação irá variar diante da localização e circunstância de cada projeto piloto, as funções para o grupo central de trabalho e para as assessorias complementares podem orientar a formação de equipes de projeto. Na atuação do IAS, o reconhecimento destas funções é bastante estratégico, a fim de apoiar o mapeamento de atores para replicação de  pilotos e distribuição de responsabilidades. O quadro abaixo exemplifica o desenho da equipe envolvida.


Coordenação geral

Coordenação transdisciplinar e não necessariamente especializada, prevendo:
- Integração das diferentes partes/ações e mediação com atores locais 
- Acompanhamento das atividades em relação ao plano de ação 
- Organização e condução das reuniões/ atividades gerais (rítmo)


Coordenação técnica

- Proposta, planejamento e acompanhamento do desenvolvimento de estudos, projetos, implementação e monitoramento
- Premissas, diretrizes, TRs e supervisão para as atividades técnicas
- Sistematização das experiências e aprendizados ao longo do processo.


Articulações externas

Conectar atores e iniciativas que possam contribuir com as demandas do projeto, como:
- Levantamento de informações, orientações e validações das atuações
- Engajamento para financiamento, ampliação das ações
- etc.


Engajamento local

- Organização e condução das atividades de engajamento local, inclusive processos de discussão e capacitação
- Comunicação e mediação com atores locais.


Estudos e projetos

- Desenvolvimento de estudos e projetos para embasar e detalhar as soluções/ ações (de natureza técnica, econômica, legal, urbanística etc.)
- Discussões, consultas e validações dos estudos e projetos
- Supervisão detalhada das atividades de implementação


Implementação

- Condução das atividades de construção dos sistemas
- Logística de materiais e trabalho
- Condução dos procedimentos de monitoramento

Para saber mais sobre a metodologia e conhecer no detalhe cada etapa, escopo e ação, baixe o documento abaixo "Base para Ação com Pilotos".